História do Agrupamento

1- CONTEXTO HISTÓRICO-GEOGRÁFICO

As escolas e jardins-de-infância que constituem este Agrupamento situam-se no concelho do Seixal, freguesia da Amora.

O Seixal é um município que está integrado no distrito de Setúbal, abrangendo uma área de 93,6 km2. Dele fazem parte as freguesias de Aldeia de Paio Pires, Amora, Arrentela, Corroios, Fernão Ferro e Seixal. A norte, o concelho, criado por D. Maria II, em 1836, quando se deu a reforma administrativa do liberalismo, é limitado pelo rio Tejo e pela ribeira de Coina; a sul, faz fronteira com Sesimbra; a leste, com o concelho do Barreiro e a oeste, com Almada. Foi extinto em 1898 para ser de novo criado três anos mais tarde. Até esta data, as freguesias do agora Concelho do Seixal pertenciam a Almada. A população, nesta época, era essencialmente rural. Os que habitavam perto do rio dedicavam-se à atividade de cabotagem que era muito importante pois estabelecia o contacto com Lisboa ou à indústria da moagem desenvolvida nos moinhos de maré. Existiam então 12 moinhos espalhados pelas margens do rio, da enseada do Seixal à ribeira de Coina.

Junto ao rio situavam-se os principais núcleos urbanos: a vila do Seixal, Arrentela, Torre da Marinha e Amora. No interior, a Aldeia de Paio Pires tinha um carácter rural, circundado de quintas de produção agrícola. A maior parte das quintas do Município pertenciam a ordens religiosas, que eram utilizadas pelos nobres e pelos fidalgos da corte como quintas de recreio.

As quintas situavam-se na orla fluvial; as povoações urbanas ocupavam uma área reduzida do Município e a área restante do concelho era maioritariamente florestal, pois uma das actividades principais era a produção de madeira para embarcações. Com a revolução industrial do século XIX instalaram-se no concelho diversas unidades industriais. A primeira grande unidade industrial dedicava-se ao fabrico de lanifícios e instalou-se na Torre da Marinha. Daí em diante, várias unidades fabris instalaram-se no Município, dedicadas às mais variadas actividades, tais como: o fabrico de sabão, de vidro, de produtos químicos, de sola, seca do bacalhau, descasque e moagem de arroz e, no final do século XIX, a transformação da cortiça. Neste particular, a Mundet, dedicada ao tratamento da cortiça, marcou a maior parte do século XX, empregando parte substancial da população do concelho. Em 1960 é inaugurada a Siderurgia Nacional que fez aparecer novas unidades industriais. Por esta altura regista-se um progressivo abandono da atividade agrícola e um aumento da atividade industrial. Inicia-se a construção da ponte sobre o Tejo, fundamental para aproximar a margem Sul da capital. Seguiu-se a construção da auto-estrada do Sul até ao Fogueteiro o que veio assim aumentar o nível de acesso ao concelho, com os consequentes aumentos da área urbanizada e da população residente.

2- CONTEXTO SOCIAL E CULTURAL

A Escola Básica 2,3 da Cruz de Pau, sede do Agrupamento de Escolas de Terras de Larus, situa-se na localidade da Cruz de Pau, concelho do Seixal. Este concelho conta hoje com mais de cento e setenta mil habitantes, sendo o primeiro concelho com mais população no distrito de Setúbal e o décimo primeiro a nível nacional. A freguesia da Amora, na qual se inclui a localidade da Cruz de Pau, merece destaque dentro do concelho do Seixal, pois é a que apresenta uma maior densidade demográfica, sendo cidade desde Maio de 1993. A evolução do comportamento demográfico do concelho do Seixal está fortemente ligada à dinâmica populacional da Área Metropolitana de Lisboa (AML), na qual se encontra inserido. Com efeito, o crescimento populacional, ocorrido fundamentalmente nos últimos trinta e cinco anos, fundamenta-se em três grandes pilares de análise: está associado à melhoria das acessibilidades (ponte 25 de Abril, A2 até ao lanço do Fogueteiro, a travessia ferroviária do Tejo, o Metro de superfície da Margem Sul e, mais recentemente, a construção da A33), aos processos de migração interna e/ou externa (neste particular, segundo dados do Censo de 2001, o peso da população imigrante ronda os 15% da população total) e a fenómenos de industrialização (recentemente substituída pela terciarização, de que são melhores exemplos toda a estrutura comercial associada ao Rio Sul Shopping, o Centro de Estágio do Sport Lisboa e Benfica e ainda toda a rede de serviços ligados à empresa ferroviária FERTAGUS).

Neste contexto global, o Agrupamento de Escolas de Terras de Larus está inserido num meio com condições muito particulares e que condicionam grandemente a população escolar.

Com efeito, a auto-estrada A2 veio fracturar a sua área funcional de captação de alunos, bipolarizando a sua Comunidade Educativa em torno de duas grandes realidades urbanístico-económicas distintas. Trata-se, por isso, de um Agrupamento marcado por grandes contrastes sociais, onde coexistem áreas de baixa densidade populacional e de moradias unifamiliares (área ocidental do concelho, onde se destacam as localidades de Foros de Amora, Belverde e Verdizela), com áreas de forte densidade populacional, muito urbanizadas pelo predomínio da construção vertical e onde se destacam as localidades de Fogueteiro, Paivas e Cruz de Pau. Sobretudo nestas últimas, o rápido crescimento urbanístico, nem sempre foi acompanhado da criação de infra-estruturas culturais e/ou lúdicas, facto que condiciona grandemente a oferta de respostas adequadas à ocupação dos tempos livres dos nossos alunos. Concomitantemente, dado o facto do Agrupamento se inserir num espaço da AML, estamos perante uma localidade dormitório, o que, por si só, constitui um óbice ao sucesso educativo pela menor disponibilidade que cria em muitos dos Encarregados de Educação e consequente envolvimento no processo educativo dos seus educandos. Como vimos atrás, a Comunidade Educativa tem origens muito diversificadas, coexistindo no mesmo espaço gentes da região, outras oriundas de zonas diversas do país (nomeadamente do Alentejo) e ainda toda uma panóplia de nacionalidades, resultado do processo imigratório que marcou o país nas últimas décadas. É neste “mosaico cultural” e nesta diversidade de Gentes que se abre uma janela de oportunidades que terá de propíciar um genuíno enriquecimento multicultural de todos os envolvidos na vida do Agrupamento, como também, abrir caminho a uma verdadeira integração de todos aqueles cujos destinos aqui se entrecruzam.